Possivelmente, bem nesta ordem mesmo, mas com certeza, tudo junto e misturado na maior parte do tempo. Quem está aqui há mais tempo percebeu mais claramente como a maternidade chegou chegando, justamente por ser o que é: intensa e irrevogável. A Mia nasceu, e uma nova versão minha começou a ser gestada em seguida. Esboçada, disforme, igual as imagens de ultrassom. Conforme o tempo foi passando, ficou cada vez mais nítida a vontade de dar espaço à artista que vive em aqui nesta casa-corpo.
A maternidade é criativa por pura necessidade. Com um bebê nos braços, totalmente dependente e encantadoramente seu, inventa-se de tudo por um sorriso que cesse o choro, até mesmo tempo para encaixar o mínimo que nos resta de nós mesmas, pois nossas crias merecem nos conhecer para além da parentalidade e dos cuidados.
Foi assim, ainda mancando, no auge do puerpério, que retomei com foco e intenção o projeto de paredes artísticas pintadas a mão, iniciado láaaa em 2019. A artista, a mãe e a empreendedora deram as mãos à jornalista, que ainda bate ponto 4x ao dia, 5x por semana, e dá mamá de madrugada. E, em meio à rotina apertada, surtos muitos e alegrias tantas, tem tido muito pincel, cor e arte. Paredes têm sido criadas, orçamentos respondidos, ideias sendo trocadas.
Então é isto. “Nós” vamos continuar a dar cria – por ora, simbolicamente (quem aguenta dois “terribles two’s” simultâneos?). Quem permanecer neste perfil e quem for chegando, prometo muita cor por estas bandas. E, como inteira que agora sou, seguirei encaixando muito maternar com chá de vida real e bolo quentinho de afeto, matérias-primas de tudo que desenho e pinto.


